CatÁstrofes Naturais - Uma exposiÇÃo cada vez maior
Foi na Europa que se registaram os
maiores prejuízos materiais seguros
tendo, inclusive, ultrapassado os EUA,
tradicionalmente a região do globo que
ocupa o topo das tabelas dos prejuízos
seguros.
Ainda que 2007 não tenha
sido um ano excepcionalmente
grave em termos prejuízos
materiais, as recentes
estatísticas publicadas pela Swiss Re1
– uma das maiores Resseguradoras
mundiais – confirmam a tendência
no aumento do número e do custo
resultantes de catástrofes naturais.
Contrariamente ao que é habitual,
foi na Europa que se registaram os
maiores prejuízos materiais seguros
tendo, inclusive, ultrapassado os
Estados Unidos da América, tradicionalmente
a região do globo que
ocupa o topo das tabelas dos prejuízos
seguros.
De uma estimativa de aproximadamente
US$ 65,7x109 de prejuízos,
prevê-se que apenas cerca de 35%
(US$ 23,3x109) sejam indemnizáveis
pelos seguros, o que tem como consequência
serem as empresas, os
cidadãos e os Estados a suportar uma
factura de mais de US$ 42x109.
Na origem destes números estiveram,
entre outros, os seguintes eventos:
- A tempestade Kyrill que afectou
no início do ano a Alemanha, Reino
Unido, Bélgica e Holanda;
- As chuvadas e inundações que
atingiram diversas vezes o Reino
Unido;
- As tempestades ocorridas
durante o mês de Abril no Estados
Unidos da América;
- A passagem do ciclone Gonu pelo
Golfo de Oman;
- As inundações ocorridas em
Outubro na região de Tabasco, no
México;
- Os fogos florestais que devastaram
a Califórnia também durante o
mês de Outubro passado.
EVOLUÇÃO NOS ÚLTIMOS
TRINTA ANOS
Os dados disponíveis mostram uma
tendência de subida acentuada dos
prejuízos seguros nos últimos anos,
o que tendo em conta as alterações
climáticas, leva os principais resseguradores
a trabalhar afincadamente
na melhoria dos modelos de análise
estatística a aplicar aos riscos catastróficos,
especialmente os relativos
a tempestades e inundações.
Apesar deste aumento de frequência
e de severidade, com particular
destaque o ano de 2005 fortemente
afectado pela temporada de furacões
que assolou a costa norte-americana,
as medidas tomadas após Setembro
de 2001, que se traduziram num
fluxo de capitais e reforço das reservas
em larga escala, combinado com
adequadas políticas de subscrição,
permitiram que os Balanços das
grandes Resseguradoras mundiais
tenham respondido de forma satisfatória
às indemnizações decorrentes
destes sinistros.
PERSPECTIVA FUTURA
Nos últimos dois anos, assistiu-se a
um período de soft market, caracterizado
por um menor rigor nas
políticas de subscrição e que se
traduziram em descidas acentuadas
dos prémios na maioria das classes
de risco.
Apesar desta contradição evidente
(por um lado aumento das indemnizações
e por outro descida significativa
dos prémios), é de admitir
que os próximos dois anos irão ser
caracterizados por:
Uma melhor monitorização dos
riscos catastróficos, em particular a
exposição aos riscos de incêndio,
tempestade, inundação e fenómenos
sísmicos;
uma estabilidade do mercado, por
forma a evitar a alternância constante
de ciclos relativamente curtos
de hard market e de soft market;
uma tarifação rigorosa dos riscos;
um maior nível de exigência na
definição e actualização dos capitais
a segurar;
uma intervenção directa do Estado
em complemento de riscos que não
possam ser transferidos para as seguradoras.
De outro modo, o projecto Solvência
II, à semelhança de Basileia II
para a banca, estabelecerá um novo
quadro global de solvência aplicado a
todas as seguradoras da União
Europeia, baseado no risco e numa
supervisão que proteja de forma
efectiva os direitos dos segurados.
Com entrada em vigor prevista para
2012, o novo projecto vai obrigar as
seguradoras a uma melhor análise
do risco, que deverá incidir, não apenas
em rácios e indicadores quantitativos,
mas também sobre referenciais
qualitativos que influenciem a
situação da empresa em termos de
risco.
O CASO PORTUGUÊS
Falar de riscos catastróficos em
Portugal é falar essencialmente da
exposição ao risco de fenómenos sísmicos.
Do ponto de vista da ocorrência
de sinistros indemnizáveis pelos
seguros, Portugal tem escapado às
ocorrências que se têm verificado
nas várias regiões do mundo, ainda
que nos últimos anos os fogos florestais
de 2003 e 2005, tenham tido
um efeito devastador para a floresta
portuguesa e prejuízos significativos
para uma importante fatia da população.
Grande parte destes riscos não
estava transferida para as seguradoras,
o que significa que os prejuízos
indemnizáveis pelos seguros foram
relativamente baixos.
São públicos os sinais de que o
Governo se prepara para avançar
com a criação de um fundo destinado
a fazer face a catástrofes naturais,
financiado em conjunto pelo Estado
e pelas seguradoras, mas não é ainda
conhecida a forma de financiamento
e funcionamento deste fundo.
COMO TRANSFERIR O RISCO
O seguro tem uma importância
vital para a sociedade, na transferência
de riscos a que cidadãos,
empresas e nalguns casos até o
Estado estão expostos.
Preparar a transferência do risco
para uma seguradora é um exercício
cuidadoso, que envolve, por um
lado, a identificação dos riscos
seguráveis que possam afectar significativamente
o património e,
por outro, a determinação correcta
dos capitais a segurar, de acordo
com os critérios previstos nas apólices.
No caso das empresas, deverse-
á ainda dar particular atenção ao
seguro de Perdas de Exploração, cobertura
complementar dos seguros
de danos materiais.
Os serviços de um corretor de
seguros – como entidade independente
que actua por mandato
expresso dos seus clientes – é pois
um recurso imprescindível na
montagem, estudo, negociação e
gestão de qualquer programa de
seguros.
1Fonte: “Swiss Re, sigma Nº 1/2008”
João Costa Duarte
VI OJE maisseguro TERÇA-FEIRA
22 de Abril de 2008 |