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Vida de risco – melhor reforma

Não, não foi um erro de impressão. É mesmo verdade que algum comportamento de risco pode fazer bem à sua reforma. Mas antes, vamos a algumas definições que importa conhecer para entender esta nova tendência internacional.

Uma Renda, ou Anuidade, é um contrato de seguro que garante o pagamento de uma prestação vitalícia. Devido às suas ca­racterísticas, é um produto muito utilizado para o pagamento de pensões de reforma resultantes, essencialmente, de planos privados oferecidos pelas empresas.
De forma resumida, o processo inicia-se com a seguradora a receber um valor inicial da pessoa segura. Tendo em conta o montante entregue, a expectativa de vida da pessoa segura e os rendimentos financeiros que a seguradora espera obter, esta última calcula o valor da prestação vitalícia que irá garantir.

Consideremos o seguinte exemplo

 

A pessoa segura, com 65 anos de idade, efectua uma entrega de 45.000 Euros. A seguradora analisa a situação e considera que a esperança de vida dessa pessoa ronda os 80 anos. Assim, os 45.000 Euros serão divididos por 15 anos, garantindo a seguradora nesta fase uma pensão de 3.000 Euros anuais. No entanto, o dinheiro não vai ficar parado e será investido nos mercados financeiros, existindo assim uma expectativa de ganhos por parte da seguradora. Parte destes ganhos serão adicionados ao valor da pensão garantida, podendo significar, por exemplo, um acréscimo de 600 Euros anuais ao valor da pensão, ficando esta nos 3.600 Euros anuais pagos até à morte da pessoa segura.
Podemos definir este tipo de seguros como um jogo, onde o colaborador é o vencedor se viver mais do que o esperado.

Voltando então ao assunto inicial, e após sabermos o que é uma renda tradicional, apresento-vos as "Impaired Annuities" (IA) ou, traduzindo à letra, qualquer coisa como as "Rendas dos Debilitados".
Existe uma ideia pré-concebida que as seguradoras exigem muitas formalidades médicas e que sempre que é detectado um problema:

A) existe uma admissão condicionada ao seguro (prémios mais elevados ou existência de restrições)

B) existe uma exclusão da pessoa segura. Nestas rendas (IA), acontece precisamente o contrário.Como explicámos anteriormente, a expecta­tiva de vida da pessoa segura é fundamental para decidir se o seguro é ou não rentável, uma vez que, quanto maior for a longevidade, mais tempo a seguradora pagará as prestações devidas. Assim, se nas formalidades clínicas for detectado um problema, a seguradora sabe que existe uma probabilidade do período de pagamento de pensões ser mais reduzido, podendo por isso oferecer uma prestação vitalícia maior, o que se traduz numa prestação superior para o reformado.


As rendas (IA) mais comuns

 

São as que estão relacionadas com o risco de morte pelas causas mais vulgares, tais como problemas cardíacos (responsável por 37% das mortes no Reino Unido), cancros (24%), AVC's (12%) ou ainda o simples facto de existir algum comportamento de risco.

Este processo está a ter uma aceitação enorme em alguns mercados mais maduros, como os EUA ou o Reino Unido, uma vez que permite às seguradoras apresentar produtos mais competitivos, sem acrescer o risco associado. Para a população em geral, é também muito vantajoso, uma vez que os normalmente "prejudicados" em quase todos os seguros, podem agora, pela mesma lógica, obter algum benefício. Seguradoras a actuar em Portugal: o desafio está lançado!

 
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